Vamos lá, cambada?
- João Blanco - Os Panenka

- 31 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Em 2016, fomos campeões sem praticamente ninguém acreditar em tal, nem mesmo nós próprios. Agora, com uma das melhores seleções de sempre a nível de talento, criamos enormes espectativas em torno da seleção. É realista acreditar que as mesmas vão ser correspondidas?

Ganhámos o Europeu com um futebol pouco vistoso mas eficaz. O 4-4-2 losango de Fernando Santos encaixa com os jogadores disponíveis e com as características dos mesmos. O selecionador também se revelou um excelente motivador, ao conseguir unir todo o plantel em torno de uma filosofia: só voltar a casa depois do dia 11. Todos estes fatores (e mais, como o golo ser marcado pelo Éder, o episódio das traças na final, etc.) criaram a história mais bonita da história do futebol nacional.
Esta conquista aumentou as esperanças para o Mundial 2018, onde já tinha havido uma enorme evolução no talento das opções. Essa espectativa tornou o tombo contra o Uruguai algo ainda mais doloroso. Os campões da Europa saíram da competição pela porta pequena dos oitavos de final, o que desiludiu uma nação inteira.
Após este trambolhão, Fernando Santos juntou os cacos e levou-nos à conquista da Liga Das Nações em 2019, tudo para voltarmos a descer de rendimento na seguinte edição da prova em 2020.

Esta viagem cronológica apenas serviu para mostrar o quão irregular foi este período de Fernando Santos ao leme da seleção: as conquistas dos únicos dois títulos da nossa seleção são intercaladas por momentos de desilusão.
Isto leva-nos ao presente, onde talvez a nossa melhor seleção em termos de talento é rotulada com "cruzabol", "meios a zero", entre outros. Isto obviamente leva a críticas e levanta a pergunta: o que podemos esperar dos próximos anos com Europeu e Mundial?
Comecemos a nível individual, e sendo o mais frontal possível: somos das melhores seleções do mundo. Especialmente esta época: Rúben Dias, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, João Cancelo, Rúben Neves e Moutinho transformam a Premier League num parque autêntico; André Silva só não é o melhor marcador da Bundesliga por existirem Lewa e Haaland; Palhinha, Nuno Mendes e Sérgio Oliveira são fulcrais nos seus clubes, João Félix é a pouca criatividade que existe no Atlético, etc. Já para não falar, que contamos com dos melhores jogadores da história no plantel.
A nível coletivo, é onde está o problema. Enquanto que Fernando Santos ainda consegue motivar a equipa, a mentalidade tática está desatualizada. Já não somos uma equipa só de garra e sem espetáculo, somos uma que pode aliar os dois. Não faz sentido ter um ferrari e deixá-lo na garagem porque se pode riscar. Somos uma seleção tão diversificada a nível ofensivo que vale a pena correr alguns riscos. Abandonar a circulação lenta da posse no último terço. Abandonar a dependência em cruzamentos. Subir um pouco as linhas. Isto é tudo possível com este plantel, e isto são só exemplos.
Sermos candidatos a alguma coisa depende, a meu ver, totalmente da capacidade de Fernando Santos se adaptar um pouco mais ao plantel que tem no momento. Esperemos que as estrelas se alinhem para sermos felizes outra vez.





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